Ator de Roma tem visto negado várias vezes e não conseguirá ir ao Oscar

Roma talvez seja o longa estrangeiro de maior sucesso nos últimos anos. Distribuído pela Netflix e dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón (Gravidade), o filme em preto e branco cruzou barreiras e conseguiu históricas dez indicações ao Oscar, incluindo para melhor filme. Infelizmente, nem todo mundo poderá festejar essas indicações: um dos principais atores do filme, Jorge A. Guerrero, não conseguirá ir à premiação a qual ele foi convidado pela Academia. Ele não conseguiu um visto americano para visitar os Estados Unidos legalmente.

O ator e mestre de kung-fu teve sua solicitação de visto negada três vezes. Ele chegou a levar cartas com pedidos explícitos da Netflix e de Cuarón para que o governo aprovasse a entrada do mexicano nos EUA. A embaixada americana na Cidade do México, entretanto, não quis nem ler essas solicitações, conta Guerrero no programa de TV De Primera Mano (via El Sol de Tijuana).

“As cartas não tem muito valor se eles se recusam a lê-las”, crítica o ator que interpreta Fermín em Roma.

Guerrero acha que a negação tripla está relacionada com sua aparência. Em uma das tentativas de conseguir o visto, o ator ouviu oficiais da embaixada duvidando da sua profissão. Os funcionários acreditavam que ele queria ir aos EUA para procurar trabalho.

Eu entendo, faz parte do processo. Talvez essas pessoas só estivessem tendo um dia ruim.

No filme, Guerrero interpreta o artista marcial obstinado Fermín — um dos personagens mais mutáveis durante o processo do filme. Ele começa como interesse romântico da protagonista Cleo — interpretada pela indicada ao Oscar, Yalitza Aparicio (que conseguiu seu visto) –, mas rapidamente se torna um antagonista militarizado.

Roma já está disponível para streaming na Netflix. O filme gira em torno de Roma, um dos principais bairros da Cidade do México, no meio das transformações sociopolíticas do país na década de 70. O longa tem sido um dos queridinhos na temporada de premiações, levando troféus do Globo de Ouro e do Critics’ Choice Awards — sendo muito elogiado pelo olhar delicado da desigualdade social em um país emergente.

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